Transubstanciação e Consubstanciação

A origem da festa de Corpus Christi

       Corpus Christi, em latim, significa Corpo de Cristo, em português. É uma festividade da Igreja Católica que celebra o “milagre” da Transubstanciação, a transformação da hóstia, na hora de sua consagração na celebração da missa, em o corpo de Jesus; e do vinho, em o sangue de Cristo. Este dia foi instituído pelo papa Urbano IV, em 1264, para ser celebrado na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.

       Esse papa baseou-se nas “visões” da freira Juliana de Mont Cornillon, nascida no lugarejo chamado Retines, próximo da cidade de Liége, Bélgica, em 1192. Órfã de pais, ainda criança, foi educada pelas freiras agostinianas em um orfanato. Aos 17 anos, começou a ter sonhos onde observava a lua cheia com uma mancha escura. O papa interpretou essa revelação como uma ordem divina para o estabelecimento do dogma da Transubstanciação.

       A promulgação deste feriado veio depois do “milagre” que houve na hora da celebração da missa por um padre que duvidava das visões da freira Juliana. No momento que ele elevou a hóstia para consagrá-la a Deus, ela começou a verter sangue, que manchou a toalha do altar, na igreja católica de Bolsena, Itália. Corpus Christi tornou-se então uma festa universal em 1313, na Idade Média, período dominado pelas densas trevas da ignorância e superstição.

       O mesmo aconteceu em Juazeiro do Norte/CE, no tempo do vigário da cidade, padre Cícero, que, na hora da missa, ministrou a hóstia à beata Maria de Araújo, quando a boca dela encheu-se de sangue, o que levou o povo acreditar que ela e aquele sacerdote eram santos. O bispo da Diocese do Crato/CE, Dom Joaquim José Vieira, considerou aquele “milagre” um embuste, e elaborou um documento enviado ao papa, que excomungou aquele pároco.

      Lutero substituiu o termo Transubstanciação (transformação dos elementos em carne e sangue de Jesus) por Consubstanciação (mistura dos elementos com a carne e o sangue de Cristo). Os líderes da Reforma discordaram, e, prevaleceu a proposta de Ulrico Zuínglio, o qual convenceu o auditório de que o correto era considerar a celebração da Ceia do Senhor como um memorial da morte e ressurreição do Salvador do mundo.

       Mediante o exposto, concluímos que o dia de Corpus Christi tem origem na superstição católica que prevaleceu durante toda a Idade Média até a chegada da Reforma Protestante encabeçada por Martinho Lutero, pertencente ao clero romano e profundo conhecedor de todas as invencionices da Igreja de Roma. Hoje, entendemos que Cristo ressuscitou e encontra-se à destra do Pai, e intercede por nós. É o que nos basta.

Pr. José Wellington Bezerra da Costa – Presidente do Ministério do Belém e da CONFRADESP

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